Vídeo sobre o que o Facebook faz com os dados que disponibilizamos (via Panel de Control)
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sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
domingo, 4 de outubro de 2009
New Issue Surveillance & Society: Gender, Sexuality and Surveillance

Saiu há pouco o novo número da Surveillance & Society sobre gênero, sexualidade e vigilância. No editorial, um sumário dos artigos que compõem o número:
"These articles turn our attention to three particularly problematic phenomena that surround surveillance practices. The first is the oft-cited and fallacious public response to surveillance as being ‘if I have nothing to hide then I have nothing to fear’. The second concerns the outcomes of categorisation for gendered and sexualised subjects. The third highlights how intermediated surveillant methods produce new forms of vulnerability."
O número Gender, Sexuality and Surveillance, Vol 6, No 4 (2009), foi editado por Kirstie S Ball, David J Phillips, Nicola Green e Hille Koskela e, além de artigos, conta com uma série de resenhas sobre os últimos lançamentos sobre vigilância e temas correlatos.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
Composição nº 4 para circuito de vigilância

A Paola Barreto vem realizando uma série de "composições para circuito de vigilância" que, em suas palavras, são experimentações com circuito de vídeo e cinema ao vivo. Tive o prazer de assistir duas das suas composições e gosto especialmente das tensões entre a imagem em tempo real das câmeras de vigilância e as interferências sonoras, que oscilam entre diferidas, gravadas, ao vivo (fruto da parceria com o músico Dave Cole). Gosto também da posição "espectatorial" liminar em que somos colocados com a transposição do dispositivo CCTV para o dispositivo Cinema-performance. Vale a experiência e a quarta composição da série acontecerá neste domingo, dia 07 de dezembro, como parte da programação do DorkbotRio. No Circo Voador, das 19 às 22 horas.


quarta-feira, 3 de dezembro de 2008
MASP e vigilância

O novo sistema de vigilância do Museu de Arte de São Paulo/Masp conta com sensor de detecção de movimento e alterações na imagem, assegurando que os quadros permaneçam em seu lugar "devido" e que os visitantes (e possíveis ladrões) não se aproximem muito da obra. Qualquer movimento fora do padrão previsto pelos programas incorporados às câmeras de vigilância aciona mensagens de voz e alarmes. Além disso, as 96 câmeras do novo sistema de vigilância pretendem eliminar os pontos cegos e cobrir todo o espaço de museu e também parte do espaço público no seu entorno. As câmeras externas têm um zoom bastante potente, com aproximação de até 444 vezes, permitindo visualizar com nitidez e detalhes o que se passa nas proximidades do MASP tanto de dia quanto de noite (elas podem ver e registrar no escuro), esteja o vigia desperto ou dormindo (as câmeras são programadas a emitir avisos aos operadores de câmera). Tudo isso conforme a matéria no UOL Entretenimento (a sessão é sintomática ;-), onde há vídeos do sistema em funcionamento.
sábado, 16 de agosto de 2008
Cartografia e vigilância (1)

Mapamundi, Battista Agnese,Veneza, 1540
Tenho pesquisado sobre as relações entre a cartografia e a vigilância, que são tão antigas quanto variadas. No âmbito visual, os mapas (especialmente aqueles que se inserem na tradição das Imago Mundi) encarnam uma perspectiva de sobrevôo, cara ao olhar vigilante e suas múltiplas figuras míticas ou históricas. Olho de Deus, Ícaro, pássaro, esta visão cartográfica é suficientemente distante e alta para abarcar uma 'totalidade' qualquer, sendo 'pan-optica' por excelência. Não por acaso, os mapas são decisivos na arte da guerra e das conquistas territoriais, demarcando e materializando fronteiras. A partir do século XVII, essa visão cartográfica é inclusive associada à "perspectiva militar ou cavalière" (Comar, 1992), designando um olhar global a partir do qual a ordem é lisível em detalhe e onde a invisibilidade do todo se inscreve na visibilidade do plano.
O mapa e a perspectiva cartográfica como dispositivos de controle e vigilância do território não se restringem, contudo, ao domínio visual, sendo importantes imagens da razão científica moderna e sua ordem representacional, ainda que de forma menos direta. Em tal ordem, a visão-idéia clara e distinta do mundo é tributária de um olho cognoscente que se coloca à distância e em sobrevôo (como diz Husserl a propósito da razão cartesiana). Segundo essa perspectiva, a verdade do mundo só é visível pela representação, mais clara no plano cartográfico do que nas dobras e confusões do corpo a corpo com o mundo. A racionalidade científica moderna confunde-se com a racionalidade cartográfica, como nos mostram o Astrônomo e o Geógrafo de Vermeer. Além disso, a projeção cartográfica, o mapa convencional, simula uma perspectiva apreendida ao mesmo tempo de todos os ângulos e de lugar nenhum, fazendo o pan-optico e o sinóptico conviverem, representando uma ordem supostamente neutra segundo a qual o mundo se oferece como um objeto estável de conhecimento, supervisão, inspeção, controle, domínio.

Geógrafo, Vermeer, 1668
As linhagens etimológicas também cruzam o ato de vigiar à produção de mapas, especialmente explícito na palavra "survey", que vem do latim supervidere (super-visão) e que a partir do século XVI passa a significar também o ato de produzir mapas. Essa descoberta eu devo a um post do André Lemos (que aliás tem escrito e exercitado ótimas coisas sobre mapas); diz ele:
"Lendo sobre mapas e cartografias (ver, por exemplo, "The World Through Maps, A History of Cartography", de John Short), é comum ver associado o ato de produzir mapas com "surveying", que está diretamente ligado a "surveillance", ou seja, mapas como representação de um determinado olhar. Como explica Short, "survey began to mean a mapping exercice"... "Survey" em português tem o sentido de "relatório", "enquete", "exame"... Trata-se, mais precisamente, de uma forma de "olhar atenciosamente para algo" ou de "examinar dados de áreas" ou "construir mapas".
Por fim, uma agradável descoberta que ainda preciso checar com mais calma e cuidado, mas que já vale ser mencionada, embora não toque no tema da vigilância. Ao que parece, vem da nossa língua portuguesa a palavra cartografia (que reúne o latim charta (folha de papel) e o grego graphein (escrever, pintar, desenhar), e surge tardiamente no século XIX. Segundo Beatriz Bueno (2004), o neologismo teria sido inventado pelo historiador português Manoel Francisco de Barros e Sousa (1791-1865), II visconde de Santarém, e redigido numa carta de 8 de dezembro de 1839 endereçada ao historiador brasileiro Francisco Adolfo Varnhagen, em que diz – ‘invento esta palavra, já que aí se tem inventado tantas’”. (Ávila, 1993, p. 110 apud Bueno, 2004).

Brasil, Miller Atlas, 1519
Referências:
Comar, P. La perspective en jeu. Paris: Découvertes-Gallimard, 1992
Buci-Glucksmann, C. L'oeil cartographique de l'art. Paris: Galilée, 1996.
Bueno, B. P. S. "Decifrando mapas: sobre o conceito de "território" e suas relações com a cartografia" in Anais do Museu Paulista, USP, n. 12, 2004.
Short, J. S. The World Through Maps: A History of Cartography. Firefly Books, 2003.
quinta-feira, 7 de agosto de 2008
O Golden Shield da China, por Naomi Klein
Artigo de Naomi Klein sobre o estado de vigilância na China, segundo ela, o totalitarismo 2.o:
"Com a ajuda de empresas norte-americanas, a China está construindo o protótipo do totalitarismo high-tech para exportação. ... Nos próximos três anos, executivos de segurança da China prevêem que 2 milhões de CCTVs serão instaladas em Shenzhen, tornando-a a cidade mais vigiada do mundo (maníaca por segurança, Londres tem apenas meio milhão de câmeras de segurança).
As câmeras formam apenas uma parte de um programa muito mais amplo de vigilância e censura conhecido na China como “Escudo Dourado” (Golden Shield). O objetivo é usar o que há de mais moderno em tecnologia de rastreamento pessoal – fortemente abastecida pelas gigantes americanas IBM, Honeywell e General Electric – a fim de criar uma espécie de casulo consumidor cuidadosamente selado: um lugar onde cartões Visa, tênis Adidas, celulares da China Mobile, Mc Lanches Feliz, cerveja Tsingtao possam ser aproveitados sob o sempre vigilante olho do Estado, sem a ameaça da democracia."
"Com a ajuda de empresas norte-americanas, a China está construindo o protótipo do totalitarismo high-tech para exportação. ... Nos próximos três anos, executivos de segurança da China prevêem que 2 milhões de CCTVs serão instaladas em Shenzhen, tornando-a a cidade mais vigiada do mundo (maníaca por segurança, Londres tem apenas meio milhão de câmeras de segurança).
As câmeras formam apenas uma parte de um programa muito mais amplo de vigilância e censura conhecido na China como “Escudo Dourado” (Golden Shield). O objetivo é usar o que há de mais moderno em tecnologia de rastreamento pessoal – fortemente abastecida pelas gigantes americanas IBM, Honeywell e General Electric – a fim de criar uma espécie de casulo consumidor cuidadosamente selado: um lugar onde cartões Visa, tênis Adidas, celulares da China Mobile, Mc Lanches Feliz, cerveja Tsingtao possam ser aproveitados sob o sempre vigilante olho do Estado, sem a ameaça da democracia."
terça-feira, 5 de agosto de 2008
Etimologias
Vigiar, vigia e vigilância: vigeo = estar em vigor, desperto, estar muito vivo ; vigilare = estar atento, vigiar.
Vídeo: video = ver; por extensão = olhar, ir ver (visio) e, de modo geral, aperceber-se.
Passivo - videor = ser visto; parecer, assemelhar-se (daí o impessoal videtur = parece).
Derivados: visium = visão, aparição (sentido concreto), sonho; na língua filosófica, traduz o grego phantasia. Visor; visio = visão (abstrata e concreta), vista, faculdade de ver; ponto de vista (gr: theoria). Visus = vista, (sentido ativo e passivo) faculdade de ver ou ser visto (no sentido concreto ou abstrato), aspecto, aparência.
Compostos: per-video = ver a fundo, distintamente (substituto de perspicio); provideo = ver previamente, prever; providenciar; conhecer previamente, tomar precauções (providens, providenter, providentia); improvidus = imprevidente; improvisus = imprevisto.
Fontes: Ernout, A. & Meillet, A. Dictionnaire Étymologique de la Langue Latine. Paris: Ed. Klincksiek, 1994, 4a. ed.; Corominas, J. & J. A. Pascual. Dicionario Crítico etimológico Castellano e Hispánico. Madrid: Gredos, 1983.
Vídeo: video = ver; por extensão = olhar, ir ver (visio) e, de modo geral, aperceber-se.
Passivo - videor = ser visto; parecer, assemelhar-se (daí o impessoal videtur = parece).
Derivados: visium = visão, aparição (sentido concreto), sonho; na língua filosófica, traduz o grego phantasia. Visor; visio = visão (abstrata e concreta), vista, faculdade de ver; ponto de vista (gr: theoria). Visus = vista, (sentido ativo e passivo) faculdade de ver ou ser visto (no sentido concreto ou abstrato), aspecto, aparência.
Compostos: per-video = ver a fundo, distintamente (substituto de perspicio); provideo = ver previamente, prever; providenciar; conhecer previamente, tomar precauções (providens, providenter, providentia); improvidus = imprevidente; improvisus = imprevisto.
Fontes: Ernout, A. & Meillet, A. Dictionnaire Étymologique de la Langue Latine. Paris: Ed. Klincksiek, 1994, 4a. ed.; Corominas, J. & J. A. Pascual. Dicionario Crítico etimológico Castellano e Hispánico. Madrid: Gredos, 1983.
terça-feira, 29 de julho de 2008
TEAROOM

Uma dica preciosa do Marcos Martins (obrigada!!), o filme Tearoom, de William E. Jones (16 mm, 56 min, 1967/2000), realizado com imagens de arquivo de uma câmera de vigilância instalada pela polícia de Mansfield, Ohio, num banheiro público masculino no verão de 1962. Ao longo de três semanas, olhos policiais escondidos numa cabine testemunharam o sexo clandestino de inúmeros homens, produzindo provas que os condenaram à prisão por pena mínima de um ano como sodomitas. Alguns desses homens teriam se suicidado após a condenação. O filme de Jones edita essas imagens de arquivo com um mínimo de intervenção. No site é possível ver alguns stills do filme e cenas da ação policial. Imagens cuja força reside no lugar intermediário e incômodo em que se situam, entre o voyeurismo e a vigilância, entre a pornografia e o controle policial, entre o sexo marginal e a prova jurídica. Imagens plasticamente toscas, sem foco, granuladas, "poluídas" (para usar o termo do próprio Marcos), e cuja trajetória também merece atenção: da sexualidade periférica nos banheiros sujos da América nos anos 1960 sob os olhos policiais-voyeurísticos ao estatuto de evidência para a ordem jurídica e prisional até o documentário contemporâneo. Trajetória que inscreve uma atualidade, fazendo notar que uma série de aspectos estéticos e biopolíticos presentes no filme ressurgem hoje em novos contextos, formatos, propósitos. Trato de algumas dessas questões no texto Estéticas do Flagrante.
ps: não consegui achar o filme, se alguém conseguir ou tiver uma pista, agradeço.
ps: não consegui achar o filme, se alguém conseguir ou tiver uma pista, agradeço.
quarta-feira, 23 de julho de 2008
Bluetooth monitoring

Um projeto da Bath University, o Cityware, instalou secretamente uma série de bluetooth scanners em ruas, escritórios, publicidades etc e vem monitorando os trajetos de inúmeros indivíduos a partir de seus telefones celulares, computadores portáteis e câmeras digitais sem o seu consentimento. Conforme a matéria do The Guardian:
"The scanners, the first 10 of which were installed in Bath three years ago, are capturing Bluetooth radio signals transmitted from devices such as mobile phones, laptops and digital cameras, and using the data to follow unwitting targets without their permission.
The data is being used in a project called Cityware to study how people move around cities. But pedestrians are not being told that the devices they carry around in their pockets and handbags could be providing a permanent record of their journeys, which is then stored on a central database.
The Bath University researchers behind the project claim their scanners do not have access to the identity of the people tracked.
Eamonn O'Neill, Cityware's director, said: "The objective is not to track individuals, whether by Bluetooth or any other means. We are interested in the aggregate behaviour of city dwellers as a whole. The notion that any agency would seriously consider Bluetooth scanning as a surveillance technique is ludicrous.
But privacy experts disagree, pointing out that Bluetooth signals are assigned code names that can, to varying degrees, indicate a person's identity.
Many people use pseudonyms, nicknames, initials, or abbreviations to identify their Bluetooth signals. Cityware's scanners are also picking up signals that are listed using people's full name, email address and telephone numbers."
A discussão reportada acima mostra como se costuma identificar vigilância à violação de privacidade e à identificação pessoal, enquanto os novos dispositivos de vigilância digital envolvem modos bem mais sutis e complexos de rastreamento, monitoramento e classificação das ações e informações individuais, os quais muitas vezes não violam a privacidade no sentido convencional do termo, mas nem por isso deixam de ter efeitos de controle sobre as ações e escolhas possíveis dos indivíduos. Procuro enfrentar essa questão no meu último texto sobre este tema.
Eamonn O'Neill, Cityware's director, said: "The objective is not to track individuals, whether by Bluetooth or any other means. We are interested in the aggregate behaviour of city dwellers as a whole. The notion that any agency would seriously consider Bluetooth scanning as a surveillance technique is ludicrous.
But privacy experts disagree, pointing out that Bluetooth signals are assigned code names that can, to varying degrees, indicate a person's identity.
Many people use pseudonyms, nicknames, initials, or abbreviations to identify their Bluetooth signals. Cityware's scanners are also picking up signals that are listed using people's full name, email address and telephone numbers."
A discussão reportada acima mostra como se costuma identificar vigilância à violação de privacidade e à identificação pessoal, enquanto os novos dispositivos de vigilância digital envolvem modos bem mais sutis e complexos de rastreamento, monitoramento e classificação das ações e informações individuais, os quais muitas vezes não violam a privacidade no sentido convencional do termo, mas nem por isso deixam de ter efeitos de controle sobre as ações e escolhas possíveis dos indivíduos. Procuro enfrentar essa questão no meu último texto sobre este tema.
segunda-feira, 21 de julho de 2008
Intelligent Video Surveillance

A Paola Barreto, num comentário ao meu último post sobre a Axis Communication, chamou atenção para as vantagens adicionais das câmeras IP, que adiciona "inteligência" à vídeo-vigilância:
"uma das vantagens oferecidas pelos sistemas de videovigilância desenvolvidos por eles é a inteligência colocada no nível da câmera, e não dos gravadores de vídeo. Isto significa economia de espaço de armazenamento (uma das grandes questões trazidas pelo registro incessante de imagens) e de tempo para navegação pelas imagens armazenadas. As câmeras IP podem ser habilitadas para determinar se um evento tem relevância e merece ser enviado - para um central de monitoração, para um celular ou para a web."
Venho postando sobre alguns projetos que mostram como a adição de uma camada cognitiva à vídeo-vigilância vem sendo promulgada como a cereja do bolo das "soluções" de vigilância e segurança. As implicações biopolíticas, estéticas e subjetivas dessa vídeo-vigilância inteligente são inúmeras e a mesma Paola vem fazendo ótima pesquisa sobre o tema. Comenta em seu blog o revelador Caviar Test Case Scenarios, um programa de treinamento e aprendizagem de vídeo-vigilância com a finalidade de reconhecer situações e padrões comportamentais suspeitos. Economia da atenção, inteligência artificial preventiva e escopofilia da suspeita no mercado das soluções de vídeo-vigilância. Em breve nas ruas.

sábado, 19 de julho de 2008
Axis Brasil


Há algumas semanas atrás circulou uma notícia que por falta de tempo não comentei aqui. Uma das mais importantes empresas de vigilância e monitoramento remoto, a sueca Axis Communication, elegeu o Brasil como sede de seus negócios na América do Sul e prevê um crescimento em torno de 30% para 2008 no Brasil. Seus principais clientes-alvo são o governo em todas as suas instâncias - de ministérios e tribunais a órgãos de vigilância e segurança -, o grande varejo, hospitais e setor educacional. A Axis investe fortemente na transição da vigilância analógica para a digital, especialmente em câmeras IP (Internet Protocol), com ou sem fio, que podem ser acessadas e monitoradas de qualquer computador conectado a Internet. Tais câmeras reduzem significativamente o custo dos sistemas de vigilância, além de os tornarem mais "amigáveis", no sentido de mais fáceis de operar. Em termos tecnológicos, a passagem dos sistemas de CFTV (circuito fechado de televisão) às redes de câmeras IP aponta para um horizonte de crescente incorporação e naturalização da vigilância tanto no âmbito público quanto privado.
sexta-feira, 27 de junho de 2008
Mosquito anti-jovens

Ação contra o "Mosquito"; parte de oficina realizada no Zemos98 (10a edição).
Eu já havia comentado aqui sobre o "mosquito anti-jovens", uma espantosa engenhoca de vigilância que emite um zumbido audível apenas por jovens com menos de 25 anos, e que tem por função espantá-los. Post do Panel de control mostra como a venda desse "espanta-jovens" cresceu recentemente no Reino Unido e em outros países europeus, onde vem sendo utilizado por lojas e estabelecimentos que temem comportamentos "anti-sociais" nesta faixa etária. Além de tratar os jovens como criminosos potenciais, o dispositivo fere uma série de direitos humanos, como mostra o post. Organizações de defesa dos direitos de crianças e jovens estão tentando proibir o uso dessa máquina preconceituosa e autoritária.
Eu já havia comentado aqui sobre o "mosquito anti-jovens", uma espantosa engenhoca de vigilância que emite um zumbido audível apenas por jovens com menos de 25 anos, e que tem por função espantá-los. Post do Panel de control mostra como a venda desse "espanta-jovens" cresceu recentemente no Reino Unido e em outros países europeus, onde vem sendo utilizado por lojas e estabelecimentos que temem comportamentos "anti-sociais" nesta faixa etária. Além de tratar os jovens como criminosos potenciais, o dispositivo fere uma série de direitos humanos, como mostra o post. Organizações de defesa dos direitos de crianças e jovens estão tentando proibir o uso dessa máquina preconceituosa e autoritária.
quarta-feira, 25 de junho de 2008
Internet sob vigilância: lei 89/03
Post do blog do Sergio Amadeu mostra como a recente aprovação do projeto de lei 89/03 pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado coloca sob forte ameaça a liberdade, a privacidade, a expansão e a criatividade na Internet. As medidas previstas no artigo 22 do PLC 89/03 são aterradoras. Cito um trecho, mas recomendo a leitura do post inteiro:
"Veja o absurdo. Com base no artigo 22 do PLC 89/03, os provedores de acesso deverão arquivar os dados de "endereçamento eletrônico" de seus usuários. Terão que guardar os endereços de todos os tipos de fluxos, inclusive a voz sobre IP, as imagens e os registros de chats e mensagerias instantâneas, tais como google talk e msn.
O pior. A lei implanta o regime da desconfiança permanente. Exige que todo o provedor seja responsável pelo fluxo de seus usuários. Implanta o "provedor dedo-duro". No inciso III do mesmo artigo 22, o PLC 89/03 exige que os provedores informem, de maneira sigilosa, à polícia os "indícios da prática de crime sujeito a acionamento penal público". Ou seja, se o provedor identificar um jovem "baixando" um arquivo em uma rede P2P, imediatamente terá que abrir os pacotes do jovem, pois o arquivo pode ser um MP3 sem licença de copyright. Mas, e se ao observar o pacote de dados reconhecer que o MP3 se tratava de uma música liberada em creative commons? O PLC implanta uma absurda e inconstitucional violação do direito à privacidade. Impõe uma situação de vigilantismo inaceitável."
Conforme adverte Sergio Amadeu, o artigo 22 do PLC 89/03 deve ser integralmente rejeitado, sob pena de instaurarmos na rede um estado de suspeição e vigilância generalizado. Estas medidas tratam todos os internautas como suspeitos, até que se prove o contrário.
"Veja o absurdo. Com base no artigo 22 do PLC 89/03, os provedores de acesso deverão arquivar os dados de "endereçamento eletrônico" de seus usuários. Terão que guardar os endereços de todos os tipos de fluxos, inclusive a voz sobre IP, as imagens e os registros de chats e mensagerias instantâneas, tais como google talk e msn.
O pior. A lei implanta o regime da desconfiança permanente. Exige que todo o provedor seja responsável pelo fluxo de seus usuários. Implanta o "provedor dedo-duro". No inciso III do mesmo artigo 22, o PLC 89/03 exige que os provedores informem, de maneira sigilosa, à polícia os "indícios da prática de crime sujeito a acionamento penal público". Ou seja, se o provedor identificar um jovem "baixando" um arquivo em uma rede P2P, imediatamente terá que abrir os pacotes do jovem, pois o arquivo pode ser um MP3 sem licença de copyright. Mas, e se ao observar o pacote de dados reconhecer que o MP3 se tratava de uma música liberada em creative commons? O PLC implanta uma absurda e inconstitucional violação do direito à privacidade. Impõe uma situação de vigilantismo inaceitável."
Conforme adverte Sergio Amadeu, o artigo 22 do PLC 89/03 deve ser integralmente rejeitado, sob pena de instaurarmos na rede um estado de suspeição e vigilância generalizado. Estas medidas tratam todos os internautas como suspeitos, até que se prove o contrário.
sexta-feira, 23 de maio de 2008
Vigilância e atenção

Recentemente, tenho revisitado textos de psicologia para pesquisar a presença e o sentido da noção de vigilância na definição dos estados atencionais. Na psicologia cognitiva, o termo vigilância é muitas vezes usado como sinônimo de atenção sustentada, que implica esforços sucessivos para manter um objeto no foco da atenção por um tempo prolongado. Num texto sobre a história do termo vigilância na psicologia do século XX, descobri um detalhe curioso, digno de júbilo "viriliano". O primeiro sentido do termo vigilância foi proposto no campo da neurologia dos anos 1920 para designar o estado de ativação e receptividade próprio ao funcionamento geral do sistema nervoso central (Gómez-Iniguez et alli, 1999). No fim dos anos 1940, aqui reside o detalhe "viriliano", o termo vigilância foi retomado pelo neurólogo Mackworth (1948 apud Gómez-Iniguez, op. cit.) para resolver um problema prático com a atividade de observação exercida pelos controladores de radar aéreo na Segunda Guerra Mundial, vinculando a vigilância ao funcionamento da atenção sustentada.
sexta-feira, 25 de abril de 2008
Surveillance Manhatan
Matéria da Wired mostra o novo aparato de vigilância que integra a política anti-terrorismo em Manhatan, Nova Iorque. Trecho:
"We climb in behind the pilot and find ourselves facing a console with three screens: One shows a map of the city; another, an interface for checking license plates and addresses; and the third, the view from a gyro-stabilized L-3 Wescam camera attached to the chopper's nose. The camera can see clear across the city, in both the visible and the infrared slices of the spectrum; then it can broadcast the images to police headquarters using an onboard microwave transmitter."
"We climb in behind the pilot and find ourselves facing a console with three screens: One shows a map of the city; another, an interface for checking license plates and addresses; and the third, the view from a gyro-stabilized L-3 Wescam camera attached to the chopper's nose. The camera can see clear across the city, in both the visible and the infrared slices of the spectrum; then it can broadcast the images to police headquarters using an onboard microwave transmitter."
quinta-feira, 24 de abril de 2008
Gadgets - GPS track defense e CCCTV scanner
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Um de meus passatempos na Internet é clicar nos links de gadgets de vigilância e contra-vigilância que o meu Google Alerts sugere. Hoje, dois entraram na minha lista de compras ;-): um GPS tracker defense, que bloqueia o rastreamento do GPS num raio de 5 metros, impedindo a identificação da sua localização. Pelo que entendi, só serve para carros, pois é carregado no isqueiro dos automóveis.

O outro gadget é um Portable CCTV Camera Scanner, que permite descobrir, visualizar e gravar transmissões de sistemas de CCTV wireless e de spy cameras. Na descrição do site: "To be used in conjunction with your own portable video camera with video input (video camera not included, input to be as per yellow/white jacks in picture) for the viewing and recording. Powered by a 9 volt PP3 battery (not included), you can switch between all four popular wireless camera channels to see any transmissions within range (typically 50 to 70 metres)."

sexta-feira, 11 de abril de 2008
Luisa Paraguai
Tenho pesquisado artistas e ativistas brasileiros que trabalham com vigilância e visibilidade e espero em breve escrever sobre isso aqui (as promessas nesse blog são muitas e sem prazo de validade ;-). Hoje conheci o trabalho da Luisa Paraguai Donati, artista sediada em São Paulo e pesquisadora da Universidade de Sorocaba. Pelo que apresenta em seu site, o trabalho mais voltado para questões de visibilidade e vigilância é o Vemos...nos olham, apresentado no FILE 2001, e cujo título é claramente inspirado no livro de Didi-Huberman (O que vemos, o que nos olha. Ed. 34 letras). Só tive acesso à descrição do trabalho, que reproduzo abaixo, conforme o que consta no site do FILE 2001. A pesquisa atual da artista é sobre tecnologias móveis e objetos vestíveis, e o Networked Performance postou sobre este seu último trabalho ontem.

Vemos....nos olham
“What we see is important – only live – in our eyes through what see us.” Georges Didi-Huberman (1998) The new relations of participant/information/technological interface is possible through Computer Mediated-Comunication on the Web, for example ICQ, chat, virtual communities, video conference, e-mail, discussion list. The Web users can establish relationship in a synchronous/simultaneous and asynchronous way through this interactive communication space. This new possibility of social and political organization and cooperation on the net take place through the circulation of information when the users have the same purpose and not more the same shared physical space. The image other’s construction takes place through intermediated information by shared text, image and some times audio, on each user’s thoughts. This work presents this new communication space as another “perception system” when it tries to compose and show the user’s relationship among other people and himself/herself through the juxtaposition and superposition of the windows in an aesthetical movement. This site tries to propose a different behavior from the common sites when the user has to stop and try “to see and be seen”. The user is conducted to see and be seen while he/she is observed by different sights around him/her through the composition of the windows opened without interaction/navigation/choose. It is needed to close all the windows in a metaphorical introspective movement for the user find himself/herself: external random links show the possibility the others’ presence on the Web. There are some links on the first Web page that conduct the users to some communication spaces as ICQ, net meeting, 3D chat, electronic chat, and virtual community."
Biography Author: Luisa Paraguai Donati PhD Student and Master at Unicamp, Department of Multimedia, Institute of Arts. Researcher from wAwRwT project. She has presented works at National and International Congress about Art and Technology. She attended with the web site INcorpos at some recent artistic exhibition: “II Biennial from Mercosul”, Porto Alegre, RS, Brazil, and “Electronic Art Exhibition - SIBGRAPI2000”, Gramado, RS, Brazil.
segunda-feira, 17 de março de 2008
Evento sobre vídeo e vigilância no CCBB-Rio

Michael Klier, «Der Riese», 1983
© Michael Klier
Participo na próxima semana do evento Painel de Controle:Vídeo e Vigilância Social, que acontece no Centro Cultural Banco do Brasil do rio de Janeiro, entre 25 e 27 de março de 2008. Segue abaixo a programação do evento.
CCBB IDÉIAS
Painel de Controle: Vídeo e Vigilância Social
Auditório – 4º andar
25 a 27 de março – 19h
Englobando os programas de reality show, a proliferação de máquinas digitais em celulares e outros aparelhos eletrônicos e o controle exercido pelo Big Brother do personagem do livro "1984", clássico de George Orwell, os debates serão precedidos de projeção de vídeos e filmes sobre o tema, revelando olhares distintos sobre a questão. O evento dá um zoom nos fenômenos do voyeurismo e da vigilância através das lentes que se espalham por toda parte.
Curadoria: Amanda Bonan e Luiza Baldan
25.03.2008 | 19 – 21 h
PARTE 1 > 19 – 19:30 h
Projeção de filmes:
• Getting Evidence, 1906 (Dir. Edwin S. Porter, EUA)
• Trechos do filme 1984 (Dir. Michael Radford, EUA)
PARTE 2 > 19:30 – 21 h
Bentham, Foucault, Orwell, Virilio: bases para analisar o fenômeno da vigilância.
Mediação: Ana Lúcia Enne
Palestrantes: Ieda Tucherman / Tulio Vianna / Ivana Bentes
26.03.2008 | 19 - 21 h
PARTE 1 > 19 – 19:30 h
Projeção de filmes:
• Trechos do filme Cachê (Dir. Michael Hanecke, França)
PARTE 2 > 19:30 – 21 h
A vida pós vídeo-vigilância.
Mediação: Bernardo Jablonski
Palestrantes: Fernanda Bruno / Arturo Rodríguez Bornaetxea / Thomas Levin (por videoconferência)
27.03.2008 | 19 - 21 h
PARTE 1 > 19 – 19:30 h
Projeção de filmes:
• Trechos do filme Der Riese (O Gigante), (Dir. Michael Klier, República Tcheca)
• Trechos do filme Sorria, Você Está Sendo Filmado (Dir. Chico Caprário, Brasil)
PARTE 2 > 19:30 – 21 h
A apropriação dos dispositivos de vigilância na produção audiovisual.
Mediação: Sérgio Branco
Palestrantes: Ricardo Basbaum (a confirmar) / Andrea França / Fani Pacheco
domingo, 16 de março de 2008
Games e voyeurismo: The Sims 3

A sociabilidade digital, nos últimos anos, vem sendo cada vez mais temperada com pitadas mais ou menos picantes de voyeurismo e vigilância em diversos ambientes virtuais. A terceira e mais recente versão do game The Sims, a ser lançada no dia 19 deste mês, traz, entre suas novidades, a possibilidade de os jogadores se movimentarem livremente de um lugar a outro sem ter que passar por uma tela de carregamento (load), encontrarem outros "sims", interagir com eles quando quiserem e... espiá-los pela janela ou mesmo filmá-los. Essas novidades investem em três processos correntes na cibercultura: mobilidade, sociabilidade e voyeurismo.
A outra ponta das pulsões escópicas contemporâneas - a da vigilância - também se faz presente nos games, sobretudo pela via artística e estética. O projeto SimVeillance mistura videovigilância e o game The Sims 2:

No âmbito estético, os movimentos mecânicos das câmeras de vigilância encontram ressonância na arquitetura ortogonal das cidades e no sistema de coordenadas que organiza as telas dos jogos eletrônicos, promovendo um olhar mecânico ou geométrico. Alguns trabalhos de video que exploraram as relações entre jogos, cidades e vigilância: Nyc nac solo (J-C. Mocick, 1989), Chicago Flipper (Franck Scurti, 1997), conforme referências de Françoise Parfait (Video: un art contemporaine, Paris: Editions du regard, 2001).
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