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segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Estéticas da suspeita



Recentemente, na entrada de um centro empresarial do Rio de Janeiro, fui surpreendida pelo procedimento de segurança do local, que além das habituais checagens de documentos e fotografias dos rostos dos clientes, expunha tais fotos num monitor situado logo após as roletas eletrônicas. A sensação imediata é a de estar vendo retratos de procurados ou de desaparecidos, o que confere ao lugar uma atmosfera policial. Os sistemas de segurança e vigilância que investem em práticas de suspeição generalizada criam também as suas estéticas da suspeita.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Mapa, crime e vigilância colaborativa


Seguindo a tendência dos mapas colaborativos de crime, professor da Universidade Federal do Ceará cria o wikicrimes.org, que permite aos indivíduos registrarem e/ou se informarem sobre a ocorrência de crimes no Brasil e no mundo. Assim como o assustador familywatchdog, o chicagocrime.org, o oakland crimespotting, entre muitos outros, esse gênero de mapa propõe uma associação, no mínimo questionável, entre cidadania e vigilância, passando pelo impulso colaborativo. Além disso, fomenta a idéia de que todos estarão mais seguros ao serem informados sobre os locais mais perigosos das cidades, enquanto se sabe que, ao mesmo tempo, há toda uma cultura do medo e da insegurança que aí prolifera.

sábado, 6 de outubro de 2007

Mapas de crime e vigilância colaborativa



O Globo Online, mais precisamente o blog Reporter de Crime lançou uma campanha convocando os moradores do Rio de Janeiro a enviarem mapas de crime dos locais em que moram ou conhecem bem. Tijuca, Flamengo, Jacarepaguá, Gávea, Copacabana, Centro, Botafogo, entre outros, já foram 'representados' na campanha "Envie os mapas de crime de sua área". Tais "mapas" são na realidade listas fetias pelos internautas com informações sobre as ruas mais perigosas, os tipos de crime mais comuns etc. Num texto recente, tratei brevemente da expansão desse tipo de mapa em várias cidades do mundo. Projetos como Oakland Crimespotting e Chicago Crime são alguns dentre inúmeros mapas de crime em áreas urbanas disponíveis na Internet. Muitos deles são colaborativos ou participativos, contando com informações dos internautas. Neste tipo de projeto, está suposto que a vigilância deve ser exercida não apenas sobre todos (como já atestam as câmeras de vigilância por toda parte), mas também por todos. A cidade e seus crimes são aí objeto de um regime escópico e atencional que implica uma vigilância colaborativa e distribuída, que incita a todos a reduzirem tais processos urbanos de grande complexidade política e social a uma questão de controle pessoal.

terça-feira, 1 de maio de 2007

Spock - indexando pessoas

Um dos principais focos da pesquisa de que trata esse blog é a constituição de uma nova maquinaria taxonômica através da elaboração de bancos de dados e perfis computacionais no ciberespaço. Argumentamos que diversos programas e sistemas de busca, produção e distribuição da informação na rede são também poderosos sistemas de coleta e classificação de informações sobre indivíduos, gostos, preferências, inclinações corportamentais etc. Em alguns artigos já indicados aqui, analisamos como mecanismos de busca (Google), redes sociais (Orkut) e sites de vendas (amazom.com) vêm construindo valiosos bancos de dados, alimentados pelas próprias ações e informações fornecidas pelos usuários destes serviços.

Em breve postarei um novo artigo sobre esse tema, levando em conta os novos dispositivos da Web 2.0. Antecipo, contudo, um dos serviços que merece atenção e destaque - o SPOCK. Seguindo a pista do Tim O'Reilly em entrevista mencionada no post anterior, fui conferir o serviço e ele é um excelente exemplo e uma atualização concreta das questões mencionadas acima. Trata-se de um mecanismo de busca pessoal, isso é, voltado para a busca e indexação de pessoas. Sim, o Google já permite buscar pessoas na rede, mas o Spock, por ser especializado e contar com ferramentas de classificação "colaborativas" oferece resultados bastante interessantes. Além de criar taggs para pessoas de modo automatizado, o Spock permite que os usuários adicionem suas próprias taggs, votem nas existentes, identifiquem relações entre pessoas e forneçam outros tipos de informação. Enfim, o sistema torna-se mais eficiente à medida que as pessoas o utilizam. Uma aplicação exemplar do modelo do que temos chamado de "vigilância colaborativa pu participativa", a qual é indissociável, como se pode ver, da constituição de bancos de dados, taxonomias e perfis também colaborativos.