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segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Paris e vídeo-vigilância


Dica da amiga Paula Sibilia (gracias!), matéria do Libération sobre o projeto da prefeitura "1000 câmeras para Paris" (1000 caméras por Paris), que quadruplica o número de câmeras em vias públicas na cidade. Segundo a matéria, a prefeitura tem a preocupação de se diferenciar do projeto londrino, adotando medidas que garantam o respeito às liberdades individuais: comitê de ética, "borragem" das imagens que capturem entradas de imóveis, limite de 30 dias para arquivo das imagens, possibilidade de os cidadãos consultarem as imagens que lhe concernem. A retórica global da segurança pós 11 de setembro torna a vídeo-vigilância uma espécie de utilidade pública cada vez mais "necessária". Ainda segundo o Libé, os movimentos anti-vigilância questionam se um tal projeto faz sentido, dado que Paris seria uma das grandes cidades mais seguras do mundo. Apontam, ainda, que esta expansão implica uma deriva securitária difícil de ser contida posteriormente.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

O banco de trás sob vigilância


O novo carro da Nissan -o Forum - tem entre as suas mil e uma utilidades um sistema de videovigilância que permite visualizar o que se passa no banco de trás e acionar um sistema de alto-falante para se comunicar com os passageiros. O serviço foi concebido para que os pais possam controlar os filhos, que costumam fazer do banco de trás um campo de batalha ;-). Além disso, o Forum possui um sistema de visualização panorâmica do exterior (around view monitor). A videovigilância integrando o rol de acessórios-fetiche dos carros com "estilo". Descrição da cyberpresse.ca:

"Les parents peuvent quand même garder l'oeil sur leur progéniture grâce à un système de vidéosurveillance. L'écran du tableau de bord leur permet de voir ce qui se passe à l'arrière puisque des caméras sont montées dans le pavillon aux deuxième et troisième rangées. Et si les choses se corsent, le conducteur n'a qu'à appuyer sur le bouton «arrêt de jeu» logé sur le volant. Cette commande permet de couper le son de tous les appareils audio du véhicule et de diffuser sa voix dans les haut-parleurs.
Mais avec la panoplie d'équipements et de technologies de pointe du Forum, y compris le système AVM (Around View Monitor) qui offre une vue panoramique de l'extérieur du véhicule ainsi que du Media System de BoseMD qui allie des fonctions d'infodivertissement telles que le lecteur DVD, l'interface iPod, la musique stockée sur disque dur, la radio par satellite XM, le système de navigation et le système de téléphonie mains libres Bluetooth, tous les occupants auront de quoi s'occuper."

sexta-feira, 16 de novembro de 2007

Videovigilância e exceção


Os sistemas de videovigilância recentes têm deixado de ser apenas máquinas de visão, monitoramento e registro para se tornarem também capazes de "analisar" automaticamente o que se passa no seu campo perceptivo, de modo a prever e impedir eventos indesejados. Os novos dispositivos de videovigilância incluem, assim, softwares de identificação de movimentos, comportamentos e episódios suspeitos. Tenho mencionado alguns exemplos neste blog e adiciono aqui mais um, que consiste em um programa de "detecção de exceções" que visa aliviar o trabalho dos controladores de câmera, identificando automaticamente situações, indivíduos e ações suspeitas. O sistema analisa a totalidade das imagens de inúmeras câmeras e exibe aos responsáveis pela segurança apenas aquelas que contêm algum dado de exceção. Em 2008 o sistema ferroviário de Maryland contará com esse dispositivo de videovigilância, que deverá detectar a presença de pacotes inesperados ou indivíduos suspeitos, conforme matéria do GCN.

Uma breve observação adicional: além de atualizarem uma modalidade de vigilância preditiva e preventiva, antecipando e frustrando o evento possível, tais dispositivos colocam em jogo um tipo de atenção que está voltada para a captura do excepcional, reforçando a videovigilância como parte de uma arquitetura da regularidade. O possível e o extraordinário sob suspeita.

domingo, 14 de outubro de 2007

Retóricas da segurança, aumento da vigilância


É comum a certos discursos da segurança operarem com uma retórica que sempre justifica seus meios mesmo quando eles falham. Segundo esse discurso, as medidas de segurança falham sempre porque ainda não são suficientemente fortes. A solução, assim, é sempre ampliar os mesmos meios, sem jamais questioná-los nos seus fundamentos e nas suas implicações ético-políticas. É assim com as prisões, com as guerras preventivas anti-terror e também com a vigilância. A despeito de inúmeras pesquisas indicarem não haver relação evidente entre o aumento de câmeras de vigilância e a diminuição dos índices de criminalidade, as administrações públicas de quase todo o mundo ampliam seus sistemas de videovigilância. Duas matérias explicitam essa retórica, mostrando a ampliação e/ou sofisticação da videovigilância na França e na Inglaterra. Nesta última, os investimentos visam tornar as câmeras mais "inteligentes" no reconhecimento de faces de suspeitos e no seu monitoramento em meio a multidões. Tenho reportado neste blog diversas pesquisas e desenvolvimento de tecnologias que visam identificar ou prever ações ou indivíduos suspeitos, tornando as câmeras aparelhos que não apenas inspecionam e registram, mas identificam, re-conhecem e prevêem. O argumento é o de que as câmeras, munidas de tal "inteligência", enfim serão eficientes na prevenção de crimes. A retórica da segurança reitera os seus meios e mantém fora do foco seus princípios e suas implicações.

segunda-feira, 9 de julho de 2007

Videovigilância.FR

Esse post vem do Carnet de Notes - no Le Monde, uma série de matérias sobre a expansão da videovigilância na França:
"Le président Nicolas Sarkozy a annoncé, dimanche 8 juillet, dans un entretien au Journal du dimanche avoir demandé au ministre de l'intérieur, Michèle Alliot-Marie, "de réfléchir à un vaste plan d'installation de caméras dans nos réseaux de transports en commun" pour combattre la menace terroriste. "Il y a 25 millions de caméras au Royaume-Uni, 1 million en France. Je suis très impressionné par l'efficacité de la police britannique grâce à ce réseau de caméras", a-t-il dit [...]"

"[...] La Commission alerte sur la généralisation de trois dispositifs : la vidéosurveillance, la biométrie et la géolocalisation. Elle a reçu 880 déclarations de mise en place de systèmes de vidéosurveillance en 2006, après 300 en 2005. Les techniques se sont perfectionnées, proposant jusqu'au comptage des clients entrant et sortant des magasins ou la détection de colis abandonnés. Face à la vague de législation antiterroriste, il appartient à la CNIL "d'éviter les pièges, dénoncer les illusions et combattre les mythes", pense Alex Türk, qui entend "provoquer une prise de conscience collective [...]" .

"La vidéosurveillance et les Hauts-de-Seine ? Une vieille et longue histoire qui remonte au début des années 1980 lorsque Patrick Balkany, alors maire RPR de Levallois-Perret, provoqua une tempête en annonçant qu'il allait faire surveiller les rues de sa ville par des caméras. Une décision qui déchaîna manifestations et pétitions et amena à la saisine de la Commission nationale de l'informatique et des libertés (CNIL) [...]".

Há ainda um video - Lyon, ville pionnière de la vidéosurveillance en France e um depoimento, disponível em audio, de Eric Heilmann, maître de conférence em Ciências da informação e da comunicação na Universidade Louis-Pasteur de Strasbourg.