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sábado, 9 de janeiro de 2010

Biometria e escola


Sim, os pais são sempre avisados, por carta ou outro meio qualquer, sobre as faltas dos seus filhos na escola. É possível dizer que ao usar um sistema de identificação biométrica e o envio de mensagens SMS a Escola Estadual Osvaldo Martins (Osvaldo Cruz, SP) apenas está tornando mais ágil a comunicação com os pais e mais eficiente o controle de presença dos alunos. Mas também é possível dizer que a escola está usando um instrumento de controle e identificação policial cuja história está associada a práticas socio-políticas inteiramente condenáveis. Em muitos países, essa "memória" basta para impedir o uso de tais dispositivos, especialmente em se tratando de crianças e jovens a quem se pretende educar.
Link da matéria.

domingo, 10 de maio de 2009

Evidência cerebral


Do neuromarketing à neuropsicologia e terapias cognitivo-comportamentais, o cérebro tem se apresentado como a evidência cabal daquilo que a aparência, o discurso e os artifícios podem esconder. Dispositivos biométricos recentes seguem essa trilha da objetividade cerebral, incorporando o "brain scanning" na detecção de terroristas suspeitos. A perspectiva é a de que tais dispositivos de identificação sejam colocados em aeroportos, controles de fronteira e áreas de risco.
A matéria do The Guardian, onde tomei conhecimento do novo aplicativo securitário, fala de outras tecnologias biométricas em desenvolvimento, assim como de sua incorporação às tecnologias cotidianas e de uso pessoal, como telefones celulares, tema que já foi tratado diversas vezes neste blog.
Na linha desta muito questionável evidência cerebral, a imagem acima pode ser recriada por um software ler ou escanear o cérebro enquanto olhamos para ela. Mais detalhes na New Scientist.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Passaporte biométrico


A partir de 2009, a França deve tornar obrigatório o uso de passaporte biométrico. Matéria do Ecrans aponta que a expansão da biometria segue passos semelhantes aos da vídeo-vigilância: a perturbação e inquietação iniciais com tal sistema de controle começam a ceder lugar a sua banalização e aceitação como prática corriqueira de segurança. ver também matéria no Figaro.

domingo, 6 de abril de 2008

Câmeras, humor e biometria



A conexão entre videovigilância e biometria avança a passos largos e, como toda tecnologia de controle, suas aplicações são múltiplas. Tenho tratado de várias delas aqui e uma matéria recente do The New York Times mostra um tipo de software que além de analisar os padrões da face para fins de reconhecimento, interpreta os seus estados emocionais - irritado, feliz, surpreso, triste. Para além da segurança, essa vigilância biométrica-emocional serve às empresas que precisam monitorar os afetos dos seus clientes ou funcionários. A matéria menciona, por exemplo, o interesse de bancos em monitorar o humor de seus clientes na fila. Além disso, trata dos limites e falhas desses sistemas biométricos, especialmente quanto ao reconhecimento de face a céu aberto e à distância. Contudo, sabemos que o problema desses dispositivo não reside apenas em suas falhas, mas também em seus êxitos.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Diagnósticos visuais e microfísica do poder (1)

O último post tratava das novas formas de identificação e reconhecimento de indivíduos no campo da vídeo-vigilância, tradicionalmente marcado e definido por uma visão sem olhar, um puro mecanismo de captura e registro de imagens sem narrativa ou intencionalidade. A incorporação de programas de visão artificial e reconhecimento visual às câmeras confere um outro papel social, político, ético e estético, aproximando-as dos dispositivos biométricos e antropométricos de controle social. São muitas as questões presentes aí, e uma delas concerne ao tipo de identificação e de controle sobre a ação e os corpos humanos implicado nesses novos formatos de diagnóstico visual de indivíduos criminosos ou perigosos. Numa primeira visada, esses dispositivos parecem estar em consonância com as novas formas de controle social, que visam diretamente a ação - e não o sujeito, sua personalidade, sua interioridade - como foco de intervenção. Não se quer, como quis a fotografia criminal e psiquiátrica, diagnosticar a alma desviante sob os traços fisionômicos tornados provas e sintomas na imagem capturada pela câmera. Não importa quem são os ladrões de bicicleta, sua condição social ou psíquica. Importa impedir furtos de bicicleta (e crimes de diversas ordens), e o modelo de eficiência não passa mais nem pelos sujeitos nem pela sociedade, mas sim por um mecanismo de reconhecimento de um padrão (visual, nesse caso), que faz soar um alarme que por sua vez impede a ação delinquente.

Conhecemos o poder e a violência dos diagnósticos visuais modernos e todo o seu interesse pelas almas perigosas e pela causalidade social do crime. Soubemos também contrapor a esse modelo, outras subjetividades e outros regimes sociais. A superficialidade do atual modelo de diagnóstico visual o faz parecer cordial e inofensivo. Mas sabemos que essa mesma aparência revela a atual face do controle - resta pensar nos enfrentamentos possíveis dessa eficácia a tal ponto asséptica e pragmática que busca não implicar nem sujeitos nem sociedades.

segunda-feira, 8 de outubro de 2007

Biometria e previsão


Post do Boing Boing menciona mais uma pesquisa científica que utiliza dados biométricos para construir dispositivos de vigilância capazes de prever comportamentos criminosos. Nas palavras do cientista da University at Buffalo: "The goal is to identify the perpetrator in a security setting before he or she has the chance to carry out the attack". Mais detalhes na matéria da Science Daily.