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terça-feira, 29 de julho de 2008

Mapa geopolítico do cárcere



Na contramão dos mapas de crime que surgem na rede incitando o exercício de uma vigilância distribuída e participativa sobre a cidade e seus habitantes, o projeto Million Dollar Blocks mapeia o enorme investimento financeiro do estado americano em prisões, bem como o fluxo "city-prison-city-prison" em cinco cidades americanas. Esse mapa geopolítico do cárcere pretende tornar visível as sombrias estatísticas da justiça criminal, bem como a escolha do estado em investir em prisões o que poderia estar orientado para a "infraestrutura cívica, como educação, saúde, habitação e família". Trechos da descrição do projeto:

" The United States currently has more than 2 million people locked up in jails and prisons. A disproportionate number of them come from a very few neighborhoods in the country’s biggest cities. In many places the concentration is so dense that states are spending in excess of a million dollars a year to incarcerate the residents of single city blocks. When these people are released and reenter their communities, roughly forty percent do not stay more than three years before they are reincarcerated.
Using rarely accessible data from the criminal justice system, the Spatial Information Design Lab and the Justice Mapping Center have created maps of these “million dollar blocks” and of the city-prison-city-prison migration flow for five of the nation’s cities. The maps suggest that the criminal justice system has become the predominant government institution in these communities and that public investment in this system has resulted in significant costs to other elements of our civic infrastructure — education, housing, health, and family. Prisons and jails form the distant exostructure of many American cities today.
The project continues to present ongoing work on criminal justice statistics to make visible the geography of incarceration and return in New York, Phoenix, New Orleans, and Wichita, prompting new ways of understanding the spatial dimension of an area of public policy with profound implications for American cities."

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Cartografias da vídeo-vigilância

Compartilho uma seleção, acompanhada de breve descrição, dos atuais projetos de mapeamento de câmeras de vigilância pelo mundo que se encontram disponibilizados na Internet. A seleção e as descrições foram realizadas pelos bolsistas Luisa Motta, Débora Petersen e Maicon Pereira, que participam deste projeto de pesquisa e estão realizando, sob minha orientação, um mapeamento das câmeras de vigilância em espaços públicos na cidade do Rio de Janeiro.

Observing Surveillance (Washington DC, EUA)
O Observing Surveillance Project foi desenvolvido após os atentados de 11 de setembro para documentar a presença de câmeras de vigilância em Washington DC. No ano de 2002, a equipe do “Electronic Privacy Information Center” (EPIC) assumiu a realização do projeto, que vem sendo elaborado em cooperação com o “Freedom of Information Act litigation”. Atendendo aos requerimentos deste, o EPIC, através do “Metropolitan Police Department” e do “Park Police”, determinou a abrangência das operações de vídeo vigilância em DC. O material pesquisado foi incorporado à exposição do Observing Surveillance. De acordo com os documentos obtidos pelo EPIC, nos últimos anos, o “Metropolitan Police Department” usou vídeo-vigilância de helicópteros para monitorar manifestações políticas em Washington DC.
O principal objetivo do Observing Surveillance é promover um debate público sobre a presença de câmeras de vigilância em Washington DC. Para fomentar tal discussão, o grupo passou a produzir cartões postais que mostram as câmeras de vigilância, sobretudo aquelas localizadas em frente ao FBI e ao departamento de justiça dos EUA. Através da montagem de várias fotos num mesmo cartão, o grupo Observing Surveillance busca mostrar as inúmeras câmeras de vigilância presentes em Washington. Além disso, o projeto modifica mapas turísticos, acrescentando neles a indicação da localização das câmeras de vídeo-vigilância, o que possibilita aos turistas decidirem se querem ou não visitar esses locais.
O Observing Surveillance também elabora documentários digitais, que misturam imagens de liberdade com cenas de vigilância e controle, tendo o fim de chamar a atenção para os impactos que as câmeras criam. As imagens de vigilância sugerem a construção de um panóptico em Washington DC. Como se pode ver, o Observing Surveillance tem como principal método comunicar idéias através de imagens, promovendo a observação dos próprios vigias, o que explica o nome do grupo.
O projeto recebe incentivo do programa Cultura, Mídia e Educação da Fundação Ford.


Constant VZM Map of Brussels surveillance cameras (Bruxelas, Bélgica)
Esse grupo existe desde 1997 e desenvolve um projeto de mapeamento das câmeras de vigilância da cidade de Bruxelas, através de fotos que enquadram não só as câmeras, mas também o contexto no qual estão inseridas. No site, elas são organizadas por regiões e ao clicarmos em cada foto podemos vê-la em maiores detalhes junto ao endereço de onde a câmera se situa. Muitas dessas fotografias datam de dezembro de 2000, sendo que outras foram acrescentadas em janeiro de 2001.
O ponto de partida dessa pesquisa foi a “Opéra Royal de La Monnaie”. Na sua lateral há uma escultura da qual desce um tubo de plástico com um cabo que alimenta uma câmera de vigilância. A partir desse ponto, o grupo “Constant VZM” começou sua caminhada em busca das câmeras e após uma hora foram registradas um pouco menos de cem.
O site do grupo apresenta um texto que busca refletir sobre a proliferação da vídeo-vigilância e suas implicações na atualidade. Ao final, conclui-se que a presença massiva de câmeras é um sintoma de uma sociedade cujo imperativo é mais o controle do que a solidariedade. Além disso, questiona-se o fato de assuntos éticos serem solucionados pela tecnologia em detrimento do debate democrático. Propõe-se então que organismos como os comitês, associações e universidades subvertam a situação vigente, propondo caminhos alternativos.


CCTV Berlin (Berlim, Alemanha)
Esse grupo tira fotos das câmeras de vigilância de Berlim e as organizando por regiões. O grupo fez um mapa de uma das principais praças da cidade, a Potsdamer Platz. A economia dessa descrição justifica-se pela impossibilidade de compreender o site, integralmente escrito em alemão ;-)

NYC Surveillance Camera Project (Nova Iorque, EUA)
Este projeto começou com grupos de voluntários do New York Civil Liberties Union (NYCLU)* procurando todas as câmeras públicas ou privadas que filmam as pessoas nos espaços públicos. Em uma coletiva de imprensa realizada pelo grupo em 13 de dezembro de 1998, foi divulgado o projeto que mapeava as câmeras de vigilância em espaços públicos de Manhattan (NYC Surveillance Camera Project). A causa defendida pelo NYCLU visa a liberdade e o direito de anonimato dos nova-iorquinos nesses espaços vigiados. Através de seu discurso contra vigilância, visam conscientizar a população sobre a proliferação das câmeras de vigilância e a sua conseqüente invasão de privacidade.
Esse grupo mapeou todas as câmeras de Manhattan, tanto públicas quanto privadas, que filmam as pessoas no espaço público. A partir disso, os voluntários do grupo produziram um mapa com as 2397 câmeras de Manhattan. Nesse mapa consta o número, a localização e os tipos de câmeras usadas. Além disso, o NYC Surveillance Camera Project reivindica a regulamentação do uso das câmeras de vigilância.
O mapa de Nova Iorque elaborado por este grupo é dividido em “Community districts”, nos quais indica-se o número de câmeras e os tipos (“stationary”, “rotational”, “globe”). Ao lado do mapa há uma legenda maior com as seguintes indicações: “private cameras”, public câmeras”, “Community district boarders”, “places of interest”e “parks”.
*O grupo existe desde 1951 por ativistas que defendiam a liberdade e os direitos civis em Nova Iorque.

Surveillance camera players (Nova Iorque, EUA)
O grupo Surveillance Camera Players originou-se na cidade de Nova Iorque, em novembro de 1996. O grupo realiza performances contra-vigilância e exibem cartazes diante das câmeras com frases como: “YOU ARE WATCHING ME”, “ALL DAY...EVERYWHERE I GO”, “WHO AM I?
WHAT´S MY NAME”, “I WANT GOD TO SEE ME”. Além disso, o gripo realizou um mapeamento das câmeras de vigilância de Nova Iorque e de outras cidades, enfatizando sempre no seu website que a apresentação dos mapas tem fins unicamente educacionais e informacionais.
Para disponibilizar o mapeamento no site, em cada link apresenta-se um mapa referente a uma determinada região de Nova Iorque, no qual são discriminados os tipos de câmeras, como: “elevated camera”, “TV câmera”, “city-owned camera”, “webcam”, “privately owned camera”, etc. Além disso, há informações sobre datas distintas, o que nos possibilita observar o crescimento do número de câmeras de vigilância ao longo do tempo. O primeiro mapa realizado pelo grupo foi, aparentemente, em maio de 2000 no Times Square, Manhattan.



Institute for Applied Autonomy (i-See) (Nova Iorque, EUA)
O “ Institute for Applied Autonomy” foi criado em 1998 como uma organização para pesquisa em desenvolvimento tecnológico dedicada à “autodeterminação” individual e coletiva. A organização tem como missão estudar as forças e estruturas que afetam a autodeterminação, fornecendo tecnologias que ampliam a autonomia de ativistas. Ao mapear as câmeras de CCTV no meio urbano, o i-See demarca rotas nas quais as pessoas não estariam sob a vigilância das câmeras, proporcionando linhas de fuga para os transeuntes na cidade. O mapa de Manhattan (Nova Iorque) elaborado por esse grupo foi feito junto com o “Surveillance Camera Players”, o “Surveillance Camera Project” e o “Eyebeam Atelier Workshop”. No mapa, retrata-se, ainda, o crescimento da vigilância nos espaços públicos entre 1998 e 2002.


terça-feira, 22 de abril de 2008

Mapa, crime e vigilância colaborativa


Seguindo a tendência dos mapas colaborativos de crime, professor da Universidade Federal do Ceará cria o wikicrimes.org, que permite aos indivíduos registrarem e/ou se informarem sobre a ocorrência de crimes no Brasil e no mundo. Assim como o assustador familywatchdog, o chicagocrime.org, o oakland crimespotting, entre muitos outros, esse gênero de mapa propõe uma associação, no mínimo questionável, entre cidadania e vigilância, passando pelo impulso colaborativo. Além disso, fomenta a idéia de que todos estarão mais seguros ao serem informados sobre os locais mais perigosos das cidades, enquanto se sabe que, ao mesmo tempo, há toda uma cultura do medo e da insegurança que aí prolifera.