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segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Estéticas da suspeita



Recentemente, na entrada de um centro empresarial do Rio de Janeiro, fui surpreendida pelo procedimento de segurança do local, que além das habituais checagens de documentos e fotografias dos rostos dos clientes, expunha tais fotos num monitor situado logo após as roletas eletrônicas. A sensação imediata é a de estar vendo retratos de procurados ou de desaparecidos, o que confere ao lugar uma atmosfera policial. Os sistemas de segurança e vigilância que investem em práticas de suspeição generalizada criam também as suas estéticas da suspeita.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Mais 500 câmeras no Rio


Até o fim desse ano, 500 câmeras de vigilância utilizadas nos Jogos Pan Americanos de 2007 serão incorporadas às vias públicas do Rio de Janeiro, somando-se às 220 já existentes. No total, serão 720 câmeras em toda a cidade. A matéria é do Globo online. Sobre o monitoramento por câmeras no Rio, ver esse post.

sábado, 10 de maio de 2008

Vídeo-vigilância no Rio: números


Visitei essa semana a Central de Comando e Controle da Secretaria de Segurança do Estado do Rio de Janeiro. Fui muito bem recebida e fiquei surpresa com o alcance e a dimensão do sistema de vídeo-vigilância, que revela a sua expansão recente no âmbito estatal. Os números: até 2005 havia em torno de 20 câmeras em vias públicas instaladas apenas na Zona Sul (Copacabana, Leme, Leblon, Ipanema). Hoje, há 220 câmeras na região metropolitana do Rio, sendo 170 na capital e as demais divididas entre a Baixada Fluminense, São Gonçalo e Niterói. A previsão é que em junho desse ano este número suba para 260 e, após a incorporação das câmeras instaladas na ocasião dos Jogos Panamericanos, estima-se que haja uma média de 760 câmeras na Grande Rio. As 220 câmeras estão hoje instaladas em vias públicas e possuem visão de 360 graus, zoom de 22x e são monitoradas 24 horas por dia por 22 batalhões da Polícia Militar, segundo a área das câmeras. A Central de Comando e Controle, contudo, monitora todas as câmeras e, claro, todos os batalhões. É inquietante a precisão das imagens, que podem ver detalhadamente rostos, corpos e cenas nas ruas. Mais inquietante ainda é saber que esse monitoramento e essas imagens não estão sujeitos a nenhuma regulamentação.

sábado, 6 de outubro de 2007

Mapas de crime e vigilância colaborativa



O Globo Online, mais precisamente o blog Reporter de Crime lançou uma campanha convocando os moradores do Rio de Janeiro a enviarem mapas de crime dos locais em que moram ou conhecem bem. Tijuca, Flamengo, Jacarepaguá, Gávea, Copacabana, Centro, Botafogo, entre outros, já foram 'representados' na campanha "Envie os mapas de crime de sua área". Tais "mapas" são na realidade listas fetias pelos internautas com informações sobre as ruas mais perigosas, os tipos de crime mais comuns etc. Num texto recente, tratei brevemente da expansão desse tipo de mapa em várias cidades do mundo. Projetos como Oakland Crimespotting e Chicago Crime são alguns dentre inúmeros mapas de crime em áreas urbanas disponíveis na Internet. Muitos deles são colaborativos ou participativos, contando com informações dos internautas. Neste tipo de projeto, está suposto que a vigilância deve ser exercida não apenas sobre todos (como já atestam as câmeras de vigilância por toda parte), mas também por todos. A cidade e seus crimes são aí objeto de um regime escópico e atencional que implica uma vigilância colaborativa e distribuída, que incita a todos a reduzirem tais processos urbanos de grande complexidade política e social a uma questão de controle pessoal.

quarta-feira, 1 de agosto de 2007

O Pan, a vigilância e a cidade


Como a grande mídia vem noticiando, a realização dos Jogos Pan-Americanos no Rio de Janeiro contou com a montagem de um sistema de vigilância inédito no país. O sistema consistiu na instalação de 1500 câmeras de vigilância -sendo 850 delas novas e com visão panorâmica de 360 graus, na montagem de duas centrais de monitoramento, no equipamento de 1500 veículos com GPS, computadores de bordo e de mão, além de 1800 computadores interligados por meio de uma rede sem fio com transmissão criptografada de imagem e voz, entre outros equipamentos. A rede interligava cerca de 200 orgãos como a Polícia Federal, a Receita Federal e bancos de dados criminais de todos os estados. Na central de monitoramento, um telão com capacidade para exibir simultaneamente imagens de 72 câmeras, monitorou as 1500 câmeras espalhadas pela cidade e pelos locais onde foram realizados os jogos. O sistema de monitoramento das câmeras ainda contava com um software que reconhece situações suspeitas.
Há informações de que ao menos parte das câmeras de vigilância permanecerá na cidade e será usada no monitoramento de favelas cariocas. Segundo a Secretaria Nacional de Segurança Pública, pelo menos 50 câmeras serão instaladas em locais considerados "de risco" na cidade. As medidas relativas ao sistema de segurança e vigilância na cidade serão anunciados no final de agosto.