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quinta-feira, 25 de setembro de 2008

Didi-Huberman: espetáculo, dor e histeria


Robert-Fleury, Pinel délivrant les folles de la Salpêtrière, 1795
"Je tente, au fond, de rouvir cette question: qu'aura pu signifier le mot "spectacle" dans l'expression "spectacle de la douleur"? C'est une infernale question, je crois, aiguë, stridente, intimement.
Ainsi, comment dans notre approche des oeuvres, des images, un rapport à la douleur se trouve-t-il como déjà projeté? [...]
Je n'aurait pu finalement que nommer douleur cet événement, l'hystérie. Et dans le passage même de son terrible attrait (et c'est là que s'ouvrait d'abord la question).
J'interroge ce paradoxe d'atrocité: l'hystérie fut, à tous moments de son histoire, une douleur mise en contrainte d'être inventée, comme spactacle et comme image; elle allait jusqu'à s'inventer elle-même (sa contrainte était son essence) lorsque faiblissait le talent des fabricateurs patentés de l'Hystérie. une invention: un événement des signifiants. Mais dans lévénement même des douleurs, des trop évidentes douleurs hystériques, je voudrais parler du sens de leur extême visibilité".
Trechos da abertura do livro Invention de L'Hystérie, de Georges Didi-Humerman (Paris: Macula, 1982)
Noutra ocasião, postei aqui sobre esse belíssimo livro.

sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Medo e espetáculo


London, Metro

"The Passion to be reckoned upon, is Fear" (Hobbes, Leviathan)
No último post mencionei a relação entre espectáulco e medo, retomada por Jonathan Crary do Império (Record, 2001) de Negri e Hardt. Voltei a este livro em busca das passagens que tratam disso e compartilho aqui, com grifo meu:
"A sociedade do espetáculo governa com uma arma antiquíssima. Hobbes reconheceu há muito tempo que, para a dominação efetiva, "a Paixão a ser examinada é o Medo". Para Hobbes, é o medo que une e assegura a ordem social, e ainda hoje o medo é o mecanismo principal que enche a sociedade do espetáculo. Embora o espetáculo pareça funcionar por meio do desejo e do prazer (o desejo de mercadorias e o prazer do consumo), ele realmente funciona pela comunicação do medo - ou ainda, o espetáculo cria formas de desejo e prazer intimamente casadas ao medo" (p. 344).
"O que está por trás das diversas políticas das novas segmentações é uma política de comunicação. Como argumentamos antes, o conteúdo fundamental das informações que as enormes empresas de comunicação apresentam é o medo. O constante medo da pobreza e a ansiedade sobre o futuro são as chaves para criar entre os pobres uma disputa pelo trabalho e manter o conflito no proletariado imperial. O medo é a garantia definitiva das novas segmentações" (p. 360)

A frase em grifo é fundamental para se entender as ambiguidades das novas formas de vigilância na atualidade e suas relações com o desejo e o prazer. Tais ambiguidades podem sempre ser apropriadas pelo controle, como inscreve cinicamente o selo "Sorria, você está sendo filmado". Mas são essas mesmas ambiguidades que constituem, contudo, o território instável e intersticial de onde podem emergir as resistências e criações possíveis.