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domingo, 27 de setembro de 2009

Controle Social - Michalis Lianos

Uma das tarefas reflexivas e políticas contemporâneas é apreender as transformações nos modos de exercício do controle em nossas sociedades. O livro Le nouveau contrôle social, de Michalis Lianos, é uma das boas coisas que tenho lido a respeito e um dos argumentos mais instigantes do autor é a aliança que hoje se tece entre controle e autonomia, sobretudo no uso dos serviços e contextos institucionais do capitalismo pós-industrial. Num mundo em que os indivíduos participam cada vez mais da dinâmica social como usuários de serviços/instituições, o controle se inscreve nos próprios sistemas sociotécnicos e sociocognitivos: “un contrôle par configuration des contextes d’action, d’interaction ou d’observation, qui établit les termes dans lesquels son sujet, c’est-à-dire son usager, perçoit et comprend ces contextes.” Trata-se de um controle que atua, portanto, menos por precsrição de valores e mordidas na consciência do que pela regulação de contextos de participação, ação e obtenção de resultados nos diversos contextos sociotécnicos por onde circulam os indivíduos. Capacitar a ação, incitar à participação e à interação são as vias privilegiadas do controle: “la particularité du contrôle post-industriel est qu’il exige de l’autonomie en tant que conformité. Ceux qui ne peuvent se constituer en tant que sujet individués et autonomes sont les nouveaux délinquants."
Boas análises e argumentos consistentes, salvo, ao meu ver, por um lamento ou posição que perpassa todo o livro e a crítica que nele se tece: o atual sufocamento das relações intersubjetivas e das interações sociais presenciais que já serviram de base para outros modelos de controle social, os quais parecem aos olhos do autor menos problemáticos. Tenho enorme dificuldade em ver na intersubjetividade ou nas interações presenciais a garantia de um controle mais suave ou mais sujeito a resistências. Tanto estas últimas - as resistências - quanto o controle mais eficaz podem passar pelas reacões intersubjetivas e pelos corpos co-presentes; os suportes importando menos que as relações de força e os modos de ação.
PS.: Um bom artigo do autor, disponível na Surveillance & Society: Social Control after Foucault

domingo, 3 de agosto de 2008

Keep moving!!



The Anti-Sit Archives: impressionante arquivo de fotos de todo tipo de pinos, trilhos, ferrões usados para impedir que as pessoas se sentem em mobiliários do espaço público de Nova Iorque (via Panel de Control).
O controle pela mobilidade, impedindo pausas, ócios, ocupações, encontros e experiências do espaço público que não caibam no ritmo acelerado e finalizado da cidade que, literalmente, não pode parar. Na cidade que nunca dorme também não se pode sentar ;-).


segunda-feira, 15 de outubro de 2007

Controle, massa e mobilidade


O Festival HTMlles 8: crowd control (Montréal, Canada) explora as atuais formas de mobilidade social, política, territorial, tecnológica, conceitual e pessoal, bem como as possibilidades de autonomia e controle nesse contexto.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Lei de Controle da Internet no Brasil


Vejam a campanha contra medidas legislativas de controle da Internet no Brasil. Informe-se e participe aqui.

"Estamos participando de uma campanha interinstitucional por uma rede democrática e cidadã, e contra qualquer medida legislativa que restrinja as liberdades e direitos civis assegurados a todo cidadão brasileiro na nossa Constituição, a exemplo do direito a liberdade de expressão, comunicação e privacidade. Junte-se a nós e assine a petição "Pelo debate e transparência no Projeto de Lei de Controle da Internet no Brasil" e divulgue um dos banners em seu site ou blog, sua participação é fundamental nesta causa!"

terça-feira, 1 de maio de 2007

Tim O'Reilly - web 2.0 e controle de dados


Em entrevista a WIRED, Tim O'Reilly fala do potencial da Web.20 (termo cunhado pelo autor) para coleta e controle de dados. A entrevista foi concedida na ocasião da Expo Web.20, realizada em abril de 2007 em São Francisco. Vejam a entrevista completa aqui e trecho abaixo:



"WN: Are there any trends among the companies exhibiting at Web 2.0 Expo, the kinds of services and technologies being shown?

O'Reilly: Well, obviously this is a market with a lot of froth in it already. I have to say there are a lot of me-too products and companies. Yet another social network, of the 15th flavor -- that's common in every new technology revolution. There are imitators who have marginal improvements.

One of the companies that's going live on Monday is Spock, which is a people-search engine. It's really, really impressive. It's thinking about whether there are other classes of data to which search hasn't really been applied.

That goes back to a major theme of web 2.0 that people haven't yet tweaked to. It's really about data and who owns and controls, or gives the best access to, a class of data. Amazon is now the definitive source for data about whole sets of products -- fungible consumer products. EBay is the authoritative source for the secondary market of those products. Google is the authority for information about facts, but they're relatively undifferentiated.

Why did Google, for example, recently decide to offer free 411 service? I haven't talked to people at Google, but it's pretty clear to me why. It's because of speech recognition. It has nothing to do with 411 service, it has to do with getting a database of voices, so they don't have to license speech technology from Nuance or someone else. They want their own data stream.

WN: So you think that (control of data) is actually more characteristic of web 2.0 than social networking or Ajax (asynchronous JavaScript and XML) interfaces?

O'Reilly: Absolutely. Anybody who thinks that this is about Ajax is completely missing the boat.

I do think building rich internet applications is an important part of web 2.0. I don't want to dismiss it, because we are able to build richer application platforms today. But it's ultimately about network effects, and where do you build services that get better the more people use them? And it's also about the databases that get created as a result of those network effects.

As far as I'm concerned, web 2.0 is still in its really early stages, and the reason is because the data isn't all owned yet.

The network-effects play is about how you get increasing returns by everybody using your stuff, which is really what Microsoft did on the PC. Here we see it again, where these are winner-takes-all games. The internet looks like an open platform in the beginning, but once somebody gets a lead, their service gets better fast enough, if they've harnessed all the right levers, until it becomes a real barrier to entry.

Why, despite many attempts, have we seen nobody able to dethrone eBay? Well, it's because there are network effects at work in auctions. You have a critical mass of buyers and sellers. We're seeing that with Google AdWords -- it's just a bigger and better marketplace. There are these tipping points where these services really become monopolistic.

We're still trying to move people toward really understanding what that new world looks like. I don't think a lot of people are there. A lot of people still think, "Oh, it's about social networking. It's about blogging. It's about wikis." I think it's about the data that's created by those mechanisms, and the businesses that that data will make possible."