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sábado, 23 de janeiro de 2010

Câmeras voadoras


Dispositivos usados em campanhas militares (neste caso, o Afeganistão) e em situações de exceção entram na agenda do monitoramento cotidiano e rotineiro de territórios e populações no Reino Unido. É o caso dessas câmeras voadoras, embutidas em aviões automatizados e providas de softwares de análise de imagem, capazes de detectar situações consideradas suspeitas ou perigosas. Detalhes na matéria do The Guardian.

domingo, 19 de outubro de 2008

CCTV Report


Cartaz do Setor de Transportes de Londres

Mais um relatório britânico (Home Office Research) mostra a ineficiência do uso de câmeras de vigilância (mais especificamente de Circuitos Fechados de TV/CFTV ou CCTV em inglês) na redução de crimes (via Carnet de Notes). Como de costume em boa parte dos relatórios governamentais, a ineficácia do dispositivo de vigilância/segurança não é suficiente para colocá-lo em questão. Atribui-se a ineficácia ao mau uso do dispositivo ou a um excesso de expectativas, ou ainda a uma dificuldade, exterior ao dispositivo, de se mensurar um fenômeno complexo como a redução de crimes. Selecionei alguns extratos das conclusões e projeções que ilustram essa perspectiva:

"Seria fácil concluir a partir das informações apresentadas neste relatório que o CFTV não é eficaz: a maioria dos sistemas avaliados não reduziram a criminalidade e mesmo onde houve uma redução isso não foi principalmente devido ao CFTV; nem sistemas de CFTV fizeram as pessoas se sentirem mais seguras e muito menos mudaram seu comportamento. Isso, no entanto, seria uma conclusão muito simplista, e por várias razões (...) O fracasso em atingir os objectivos de prevenção da criminalidade foi sem dúvida menos um fracasso do CFTV como medida de prevenção do crime do que da forma como foi gerido. (...) Finalmente, embora o público em sua maior parte não tenha se sentido mais seguro, e apesar de perceberem o CFTV como menos eficaz do que se pensava inicialmente, ele ainda era predominantemente a favor de seu uso. (...) Não deve ser esperado muito do CCTV. Ele é mais do que apenas uma solução técnica, ele exige a intervenção humana para funcionar com a máxima eficiência e os problemas que ajuda a resolver são complexos. Ele tem potencial, se bem gerido, frequentemente ao lado de outras medidas, e em resposta a problemas específicos, para ajudar a reduzir a criminalidade e aumentar a sensação de segurança pública, podendo gerar outros benefícios".

Diferentemente de outros relatórios, como os elaborados pelo Urban Eye (2004) e o Surveillance Studies Network (2006), este procura reafirmar, malgrado os dados produzidos pela própria pesquisa, a utilidade potencial das câmeras de vigilância para a segurança. Outros elementos do relatório que são dignos de nota:
- na avaliação da relação vigilância/segurança, a pesquisa não leva em conta apenas as ocorrências criminais, mas também o sentimento de insegurança. As câmeras não têm sucesso efetivo em nenhum dos casos, mas é menos ineficiente na redução do sentimento de insegurança, o que permite entender o empenho dos governantes na ampliação dos sistemas de CFTV;
- ainda sobre o sentimento de insegurança, ele é maior entre aqueles que são conscientes da presença das câmeras do que entre aqueles que não o são, e tal consciência não diminui a sensação de insegurança.
- curioso notar que em alguns casos há aumento de ocorrências criminais nas áreas monitoradas, embora o relatório afirme não haver relação direta entre uma coisa e outra.
- nas projeções para o futuro e o "bom uso" da videovigilância, sugere-se um maior investimento na biometria e nos softwares de análise "inteligente" das imagens de vigilância.

O que não é posto em questão no relatório e em boa parte das políticas públicas de videovigilância:
- o nexo entre segurança e vigilância não é evidente nem necessário. Ou seja, nem a vigilância garante a segurança nem esta legitima necessariamente aquela, uma vez que os sentidos e as experiências possíveis da segurança ultrapassam em muito as práticas de vigilância;
- não é suficiente e pode ser mesmo falacioso avaliar as implicações sociais da videovigilância em termos de eficiência na redução de crimes. O mais importante a ser visto aí não é o fato de as câmeras serem ineficientes naquilo a que se propõem, mas o fato de a eficiência não poder ser o critério que justifica ou legitima a videovigilância. O foco na eficiência deixa fora do campo de reflexão os princípios que governam a videovigilância e suas implicações éticas, políticas, sociais e subjetivas.
- é preciso quebrar a lógica policial e recursiva presente no discurso da eficiência\ineficiência. Como já afirmei em outros posts, essa lógica não admite outra saída além daquela que reafirma a necessidade e a ampliação dos dispositivos de vigilância. Se a questão é a eficiência e o dispositivo não funciona, é porque ele ainda não é suficientemente bem utilizado ou porque ainda é preciso incrementar as suas condições técnicas. Nesta equação policial, quanto menos eficiência, mais vigilância é requerida - seja na forma de um melhor uso, seja na forma de aperfeiçoamentos técnicos.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Fake surveillance


Seguindo a trilha de artistas e ativistas que se apropriam de imagens de vídeo-vigilância em seus trabalhos, o grupo de rock indie britânico The Get Out Clause lança um clip no YouTube proclamando que as imagens do video foram capturadas por câmeras de CFTV na cidade de Manchester. O grupo teria tocado em frente as câmeras e depois solicitado as imagens às instâncias de direito (conforme prevê a lei de regulamentação das imagens de CFTV no Reino Unido). No entanto, lamentável, o grupo foi desmentido e sua suposta inventividade contestadora tornou-se um pobre golpe de marketing. Boa parte das imagens do clip tem apenas uma aparência de vídeo-vigilância, mas não são efetivamente capturadas pelos circuitos de CFTV de Manchester. Muito mais interessante seria não declarar a natureza das imagens do clip e deixar ambíguo o seu estatuto, o que, aí sim, poderia ter uma força estética, política e mesmo comercial. Pois o episódio, pela contra-mão, nos põe a pensar no estatuto e no efeito das imagens de videovigilância, as quais, como se sabe, gozam de um poder de evidência e "prova" que nenhuma outra imagem contemporânea reivindica. O exemplo mais patente disso é a aceitação, por parte da justiça em diversos países, dos registros de CFTV como prova (o que há muito não acontece com a fotografia nem o vídeo). Este episódio, sem querer, nos mostra como não há realidade nem verdade (no sentido clássico de adequação representação-coisa) que resista a uma imagem. Mostra, ainda, como o efeito de verdade pretendido pelas imagens de CFTV circulam tanto nos imaginários policial e jornalístico (hoje cada vez mais próximos, ao menos no Brasil) quanto no imaginário artístico, contestatório e comercial. No caso do grupo de rock, as imagens estão a serviço não tanto de uma prova de realidade, mas de um efeito de contra-vigilância e autenticidade roqueira. Poderia ser bom se não se pretendesse verdadeiro. É preciso revisitar as potências do falso sem cair no vão oco do niilismo. A matéria vem do Écrans, via Carnet.

sábado, 10 de maio de 2008

"There's no fear of CCTV"


"Police officers monitor CCTV screens in the control room at New Scotland Yard in London.
Photograph: Kirsty Wigglesworth/AFP/Getty images"

"There's no fear of CCTV", lamenta o inspetor encarregado da unidade de polícia metropolitana de Londres. Estudos recentes mostram resultados desprezíveis do investimento massivo em sistemas de CFTV (circuito fechado de tv) no combate ao crime. Conforme matéria do The Guardian, apenas 3% dos roubos de rua foram solucionados a partir do uso de imagens de vídeo-vigilância. A recursividade da lógica policial supõe, contudo, que a sua ineficácia deve-se sempre à escassez de recursos ou ao mau uso dos recursos disponíveis. Noutras palavras, segundo esta lógica, se a vigilância policial falha é porque não há vigilância policial suficiente e/ou inteligente. A pouca evidência de que o uso massivo da videovigilância em espaços públicos previne o crime torna evidente, ainda segundo essa lógica, que é preciso mais videovigilância. As soluções propostas demonstram isso e demandam investimento na elaboração de bancos de dados de imagens e de sistemas de identificação acoplados aos aparatos de CFTV, conforme se pode ver na matéria indicada.

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

Celulares transformados em CCTV


Pesquisadores do Institute for Pervasive Computing criam programa que transforma câmeras integradas a telefones celulares em redes "inteligentes" de vigilância . O Programa Facet usa tecnologia Bluetooth e conexão sem fio de modo a permitir que diversas câmeras de celulares partilhem as imagens registradas e as analisem em rede, funcionando como sistemas de CCTV. A matéria é da New Scientist.

"Software that turns groups of ordinary camera cellphones into a "smart" surveillance network has been developed by Swiss researchers. The team says it will release the software for programmers and users to experiment with. [...]
These work like an ordinary CCTV surveillance system, but use software instead of a human analyst to interpret what is happening on screen, comparing the footage captured by each camera for a more complete picture. [...]
Complex tasks
Whenever a phone detects an object entering or exiting its field of view, it sends a message via Bluetooth to alert the phones on either side. These phones, in turn, pass the message on to other nearby handsets so that eventually the entire network receives the message.
One handset on the network also reports this information to a computer over a normal GPRS cellphone connection.
Each phone determines the distance to its nearest neighbour. The phones currently use the average speed people walk to guess the distances between themselves, based on how long people take to move from one phone's view to another's.
In testing, the system determined the distances between each phone with about 95% accuracy. They were placed 4 metres apart, making it accurate to about 20 centimetres. In future, recording the speed at which objects pass by would make more accurate judgments possible.
Knowing the shape of the cellphone network provides the foundation for the system to perform more complex tasks, says Bolliger. Facet could, for example, report via text message when someone walks down a corridor in a particular direction, or sound an alarm if a dangerous animal approaches a campsite, he suggests."

quarta-feira, 26 de setembro de 2007

Baixo Orçamento e CCTV


O we make money not art relata a apresentação de um dos integrantes do MediaShed no Goodbye Privacy Symposium (Ars Eletronica 2007), explorando estratégias de reação à vigilância e de uso "livre (free)" de materiais para criação artística e ativismo. O Mediashed é um espaço de "free-media" que desenvolve projetos com baixo ou nenhum custo usando materiais de domínio público, software livre ou material reciclado. No referido Symposium foram apresentados projetos que utilizam imagens e dispositivos de CCTV para a realização de filmes.

domingo, 25 de março de 2007

Uma idéia na cabeça e nenhuma câmera na mão


Uma imensa massa de imagens vem sendo produzida, registrada e arquivada diariamente por inúmeras câmeras de vigilância e de cctv (closed circuit television) ao redor do mundo. Imagens que não se oferecem ao olhar, mas ao arquivo, pois boa parte delas sequer é vista por um olho humano. Tudo registrar, tudo arquivar e para que tantas imagens? Ou ainda, perguntam alguns produtores de imagem, para que mais uma câmera, mais um registro, se eles estão por toda parte?
Não por acaso, proliferam, especialmente na Ingletarra, o país com mais câmeras de vigilância no mundo (no fim de 2006, havia cerca de uma câmera para cada 14 pessoas), projetos de artistas, performers e cineastas que se reapropriam dessas imagens de vigilância, deslocando seus destinos.
É o caso do filme Faceless, dirigido por Manu Luksch e realizado no quadro do Manifesto for CCTV Filmakers, que propõe o uso de imagens de arquivo de CCTV na realização de filmes, conforme reportado pelo excelente networked-performance:

"FACELESS (UK/AT 2007, 50 min), a CCTV sci-fi thriller directed by Manu Luksch; soundtrack by mukul; piano music by Rupert Huber; co-produced by Amour Fou and Ambient Information Systems; languages: English / German.
In an eerily familiar society, the reformed RealTime calendar dispenses with past and future, and all citizens are faceless. A woman panics when she wakes up with a face. With the help of the Spectral Children she unveils the lost power and history of the human face and begins the search for its future.
FACELESS uses CCTV images obtained under the terms of the UK Data Protection Act as 'legal readymades (objets trouves)'. Legislation requires that the privacy of other persons be protected when data is released. For CCTV recordings, this is typically done by obscuring their faces. Much of FACELESS is driven by the 'Manifesto for CCTV Filmmakers'. The manifesto states, amongst other things, that additional cameras are not permitted on location, since they are rendered redundant by omnipresent video surveillance."