segunda-feira, 21 de julho de 2008

Intelligent Video Surveillance



A Paola Barreto, num comentário ao meu último post sobre a Axis Communication, chamou atenção para as vantagens adicionais das câmeras IP, que adiciona "inteligência" à vídeo-vigilância:
"uma das vantagens oferecidas pelos sistemas de videovigilância desenvolvidos por eles é a inteligência colocada no nível da câmera, e não dos gravadores de vídeo. Isto significa economia de espaço de armazenamento (uma das grandes questões trazidas pelo registro incessante de imagens) e de tempo para navegação pelas imagens armazenadas. As câmeras IP podem ser habilitadas para determinar se um evento tem relevância e merece ser enviado - para um central de monitoração, para um celular ou para a web."

Venho postando sobre alguns projetos que mostram como a adição de uma camada cognitiva à vídeo-vigilância vem sendo promulgada como a cereja do bolo das "soluções" de vigilância e segurança. As implicações biopolíticas, estéticas e subjetivas dessa vídeo-vigilância inteligente são inúmeras e a mesma Paola vem fazendo ótima pesquisa sobre o tema. Comenta em seu blog o revelador Caviar Test Case Scenarios, um programa de treinamento e aprendizagem de vídeo-vigilância com a finalidade de reconhecer situações e padrões comportamentais suspeitos. Economia da atenção, inteligência artificial preventiva e escopofilia da suspeita no mercado das soluções de vídeo-vigilância. Em breve nas ruas.

sábado, 19 de julho de 2008

Axis Brasil


Há algumas semanas atrás circulou uma notícia que por falta de tempo não comentei aqui. Uma das mais importantes empresas de vigilância e monitoramento remoto, a sueca Axis Communication, elegeu o Brasil como sede de seus negócios na América do Sul e prevê um crescimento em torno de 30% para 2008 no Brasil. Seus principais clientes-alvo são o governo em todas as suas instâncias - de ministérios e tribunais a órgãos de vigilância e segurança -, o grande varejo, hospitais e setor educacional. A Axis investe fortemente na transição da vigilância analógica para a digital, especialmente em câmeras IP (Internet Protocol), com ou sem fio, que podem ser acessadas e monitoradas de qualquer computador conectado a Internet. Tais câmeras reduzem significativamente o custo dos sistemas de vigilância, além de os tornarem mais "amigáveis", no sentido de mais fáceis de operar. Em termos tecnológicos, a passagem dos sistemas de CFTV (circuito fechado de televisão) às redes de câmeras IP aponta para um horizonte de crescente incorporação e naturalização da vigilância tanto no âmbito público quanto privado.

Playmobil Security Airports

Para as crianças se habituarem aos rituais de vigilância e segurança da vida adulta - Playmobil Security Check-In, via Versvs'Blog:

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Senado aprova o projeto de cibercrimes


Lamentavelmente, O Senado Federal aprovou ontem, com poucas mudanças, o Projeto Substitutivo do Senador Eduardo Azeredo. Agora o projeto segue para votação na Câmara. A mobilização pelo veto é fundamental e a petição on-line já conta com 11.682 assinaturas. Assinem e divulguem!!
Mais informações nos blogs do Pedro Dória e do André Lemos.

quarta-feira, 9 de julho de 2008

Do it yourself/Saúde


Já nos é familiar a individualização e privatização dos cuidados com a saúde, hoje em grande parte delegados às escolhas e estilos de vida individuais. O cruzamento da medicina genômica com a epidemiologia dos fatores de risco enchem as páginas de jornais e revistas, bem como as telas de TV com dicas personalizadas sobre como prevenir doenças modulando nossos hábitos e comportamentos. Há algum tempo venho percebendo um processo similar na Internet, sendo que aqui os cuidados com a saúde ganham um formato participativo e colaborativo que envolve, em alguns casos, a disponibilização de dados biomédicos pessoais para corporações como Google e Microsoft. Dois artigos recentes ilustram esse processo: "Check Yourself for Genetic Abnormalities", da Wired, e "Your Medical Data Online", da Technology Review.

7001 assinaturas pelo veto ao projeto de cibercrimes

A Petição pelo veto ao projeto de cibercrimes e o Manifesto "Em defesa da liberdade e do progresso do conhecimento na Internet Brasileira" chega a 6983 assinaturas depois de dois dias de circulação. Quando terrmino de escrever esse post, vou checar, já são 7001 assinaturas. Que esse pleito ressoe no Senado Federal!

segunda-feira, 7 de julho de 2008

Monitoramento e marketing on-line


Artigo do The Economist trata das práticas de monitoramento de usuários da Internet visando a construção de perfis que permitam publicidade e marketing mais eficazes e baseados em "behavioural-targeting". Como afirma uma das empresas especializadas:
"With Phorm technology, the internet can automatically adapt itself to people's interests."

Petição on-line

Mais sobre o movimento pelo veto do projeto de lei do Senador Eduardo Azeredo e seu Substitutivo:

domingo, 6 de julho de 2008

Manifesto contra o projeto de lei Senador Azeredo

Abaixo, manifesto contra o Projeto de lei do Senador Eduardo Azeredo, que deve ser votado em 9 de julho. Aqueles que concordarem com o manifesto abaixo e quiserem assinar, enviem um OK com o nome e a instituição para o e-mail do Sergio Amadeu - samadeu@gmail.com - ou deixe um post com os mesmos dados aqui.
É muito bem-vinda a ajuda na circulação do documento e na coleta de assinaturas.

MANIFESTO EM DEFESA DA LIBERDADE E DO PROGRESSO DO CONHECIMENTO NA INTERNET BRASILEIRA
A Internet ampliou de forma inédita a comunicação humana, permitindo um avanço planetário na maneira de produzir, distribuir e consumir conhecimento, seja ele escrito, imagético ou sonoro. Construída colaborativamente, a rede é uma das maiores expressões da diversidade cultural e da criatividade social do século XX. Descentralizada, a Internet baseia-se na interatividade e na possibilidade de todos tornarem-se produtores e não apenas consumidores de informação, como
impera ainda na era das mídias de massa. Na Internet, a liberdade de criação de conteúdos alimenta, e é alimentada, pela liberdade de criação de novos formatos midiáticos, de novos programas, de novas tecnologias, de novas redes sociais. A liberdade é a base da criação do conhecimento. E ela está na base do desenvolvimento e da sobrevivência da Internet.

A Internet é uma rede de redes, sempre em construção e coletiva. Ela é o palco de uma nova cultura humanista que coloca, pela primeira vez, a humanidade perante ela mesma ao oferecer oportunidades reais de comunicação entre os povos. E não falamos do futuro. Estamos falando do presente. Uma realidade com desigualdades regionais, mas planetária em seu crescimento.

O uso dos computadores e das redes são hoje incontornáveis, oferecendo oportunidades de trabalho, de educação e de lazer a milhares de brasileiros. Vejam o impacto das redes sociais, dos software livres, do e-mail, da Web, dos fóruns de discussão, dos telefones celulares cada vez mais integrados à Internet. O que vemos na rede é, efetivamente, troca, colaboração, sociabilidade, produção de informação, ebulição cultural. A Internet requalificou as práticas colaborativas, reunificou as artes e as ciências, superando uma divisão erguida no mundo mecânico da era industrial. A Internet representa, ainda que sempre em potência, a mais nova expressão da liberdade humana.

E nós brasileiros sabemos muito bem disso. A Internet oferece uma oportunidade ímpar a países periféricos e emergentes na nova sociedade da informação. Mesmo com todas as desigualdades sociais, nós, brasileiros, somo usuários criativos e expressivos na rede. Basta ver os números (IBOPE/NetRatikng): somos mais de 22 milhões de usuários, em crescimento a cada mês; somos os usuários que mais ficam on-line no mundo: mais de 22h em média por mês. E notem que as categorias
que mais crescem são, justamente, “Educação e Carreira”, ou seja, acesso à sites educacionais e profissionais. Devemos assim, estimular o uso e a democratização da Internet no Brasil. Necessitamos fazer crescer a rede, e não travá-la. Precisamos dar acesso a todos os brasileiros e estimulá-los a produzir conhecimento, cultura, e com isso poder melhorar suas condições de
existência.

Um projeto de Lei do Senado brasileiro quer bloquear as práticas criativas e atacar a Internet, enrijecendo todas as convenções do direito autoral. O Substitutivo do Senador Eduardo Azeredo quer bloquear o uso de redes P2P, quer liquidar com o avanço das redes de conexão abertas (Wi-Fi) e quer exigir que todos os provedores de acesso à Internet se tornem delatores de seus usuários,
colocando cada um como provável criminoso. É o reino da suspeita, do medo e da quebra da neutralidade da rede. Caso o projeto Substitutivo do Senador Azeredo seja aprovado, milhares de internautas serão transformados, de um dia para outro, em criminosos. Dezenas de atividades criativas serão consideradas criminosas pelo artigo 285-B do projeto em questão. Esse projeto é uma séria ameaça à diversidade da rede, às possibilidades recombinantes, além de
instaurar o medo e a vigilância.

Se, como diz o projeto de lei, é crime "obter ou transferir dado ou informação disponível em rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado, sem autorização ou em desconformidade à autorização, do legítimo titular, quando exigida", não podemos mais fazer nada na rede. O simples ato de acessar um site já seria um crime por "cópia sem pedir autorização" na memória “viva” (RAM) temporária do computador. Deveríamos considerar todos os browsers
ilegais por criarem caches de páginas sem pedir autorização, e sem mesmo avisar aos mais comum dos usuários que eles estão copiando. Citar um trecho de uma matéria de um jornal ou outra publicação on-line em um blog, também seria crime. O projeto, se aprovado, colocaria a prática do “blogging” na ilegalidade, bem como as máquinas de busca, já que elas copiam trechos de sites
e blogs sem pedir autorização de ninguém!

Se formos aplicar uma lei como essa as universidades, teríamos que considerar a ciência como uma atividade criminosa já que ela progride ao "transferir dado ou informação disponível em rede de computadores, dispositivo de comunicação ou sistema informatizado", “sem pedir a autorização dos autores" (citamos, mas não pedimos autorização aos autores para citá-los). Se levarmos o projeto de lei a sério, devemos nos perguntar como poderíamos pensar, criar e difundir conhecimento sem sermos criminosos.

O conhecimento só se dá de forma coletiva e compartilhada. Todo conhecimento se produz coletivamente: estimulado pelos livros que lemos, pelas palestras que assistimos, pelas idéias que nos foram dadas por nossos professores e amigos. Como podemos criar algo que não tenha, de uma forma ou de outra, surgido ou sido transferido por algum "dispositivo de comunicação ou sistema informatizado, sem autorização ou em desconformidade à autorização, do legítimo titular"?

Defendemos a liberdade, a inteligência e a troca livre e responsável. Não defendemos o plágio, a cópia indevida ou o roubo de obras. Defendemos a necessidade de garantir a liberdade de troca, o crescimento da criatividade e a expansão do conhecimento no Brasil. Experiências com Software Livres e Creative Commons já demonstraram que isso é possível. Devemos estimular a colaboração e
enriquecimento cultural, não o plágio, o roubo e a cópia improdutiva e estagnante. E a Internet é um importante instrumento nesse sentido. Mas esse projeto coloca tudo no mesmo saco. Uso criativo, com respeito ao outro, passa, na Internet, a ser considerado crime. Projetos como esses prestam um desserviço à sociedade e à cultura brasileiras, travam o desenvolvimento humano e colocam o país definitivamente para debaixo do tapete da história da sociedade da informação no século XXI.

Por estas razões nós, abaixo assinados, pesquisadores e professores universitários apelamos aos congressistas brasileiros que rejeitem o projeto Substitutivo do Senador Eduardo Azeredo ao projeto de Lei da Câmara 89/2003, e Projetos de Lei do Senado n. 137/2000, e n. 76/2000, pois atenta contra a liberdade, a criatividade, a privacidade e a disseminação de conhecimento na
Internet brasileira.


André Lemos, Prof. Associado da Faculdade de Comunicação da UFBA, Pesquisador 1 do CNPq.

Sérgio Amadeu da Silveira, Prof. do Mestrado da Faculdade Cásper Líbero, ativista do software livre.

Henrique Antoun, Prof. Associado da Escola de Comunicação da UFRJ, Pesquisador do CNPq.

Fernanda Bruno - Professora do Programa de Pós-Graduação em Comunicação e Cultura da UFRJ

Mônica Schieck, Doutoranda PPGCOM / ECO - UFRJ

José Maurício Alves da Silva, Jornalista e Programador Visual

terça-feira, 1 de julho de 2008

Base para unhas fracas

Trabalho de Alexandre Vogler nas ruas do Rio de Janeiro: "Base para unhas fracas", junho de 2008.



Foto: Alexandre Vogler

Trechos do texto Contexto “Base para Unhas Fracas”: Cidade, paisagem, mídia externa, de Alexandre Vogler:
"...recorro a uma imagem ordinária que, veiculada junto a um vidro de esmalte de unha, reproduz uma campanha publicitária de um cosmético.

A escolha deste segmento deve-se a fetichização da imagem da mulher em campanhas dessa (e outras) natureza como apelo de consumo. Assim, imprimo as mãos de uma mulher casada, com unhas pintadas de vermelho, sobre imagem manipulada que faz alusão ao órgão sexual feminino.
Parafraseando tais estratégias utilizo, grosseiramente, a imagem feminina alargando os padrões de aceitabilidade e bom senso utilizado nestas campanhas. Viso, com isso, estimular o pedestre amortizado a refletir sobre tais artimanhas utilizadas no mercado de forma subliminar, fazendo com que ele associe o mesmo procedimento em outras campanhas, feitas à vera, mas encobertas por recursos estéticos que ameniza a ilegalidade de suas ações.

A imagem contida, na verdade, trata-se de um conjunto de partes do corpo humano, alterados e reunidos digitalmente com a intenção de simular um conteúdo erótico, belicoso e, até mesmo, escandaloso."